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Archive for maio \28\UTC 2009

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A questão das drogas tem dois ou mais lados a serem considerados. Primeiro, o tráfico com todas as suas implicações, como violência, corrupção e impunidade. Segundo, o uso das drogas propriamente dito, que leva indivíduos à dependência, famílias à desestruturação e o Estado a gastar – ainda que modestamente – com a reabilitação de viciados.

O problema crucial, no entanto, é a hipocrisia que gira em torno do tema. O comércio de drogas movimenta bilhões de dólares em todo o mundo e por isso nem todos os governos estariam interessados em resolver a questão de uma vez por todas. E existe também o paradoxo legal – no caso do Brasil, por exemplo – onde o usuário não é considerado criminoso. Tudo bem que todo vício é uma doença, mas se não fosse o uso de drogas não haveria tráfico que se sustentasse.

O curioso é que a maioria dos usuários de drogas pesadas não está entre os pobres. Estes, quando são viciados, geralmente alugam sua força de trabalho aos traficantes para conseguir manter o vício. Já os jovens das classes média e alta têm dinheiro para sustentar o vício e por isso não precisam aderir ao tráfico – embora muitos já o façam, motivados principalmente pelas costas quentes do papai.

Por outro lado, a sociedade brasileira é demasiadamente tolerante com aqueles que infringem a lei. Nossa história está cheia de violões que se tornaram mocinhos, a começar pelo cangaceiro Virgulino Lampião. A imagem de Robin Hood sempre é evocada quando aparecem criminosos de aura romântica, como Lúcio Flávio, Pareja e Ramiro da Cartucheira.

Também existem aqueles que tentam comparar drogados e bêbados – embora o álcool também cause muitos estragos. O problema é o nível desses estragos, pois o drogado chega a ponto de roubar ou matar para sustentar o vício, enquanto o bêbado raramente chega a tanto. O dependente de drogas geralmente usa álcool, mas o alcoólatra muito raramente consome drogas. 

E há ainda que se considerar que mesmo nos tempos da lei seca, nos Estados Unidos, o crime organizado não chegou ao estágio alcançado pelos traficantes de drogas, com o nível de violência e comprometimento social da atualidade. Hoje, na guerra do tráfico, há muito mais inocentes prejudicados que naquela época, durante a guerra do álcool, quando a Máfia ainda cultivava princípios de honra e lealdade.

Direta ou indiretamente, a sociedade brasileira também se mostra tolerante e muitas vezes se simpatiza com aqueles que fazem apologia das drogas. Em plena luz do dia, a televisão exibe filmes nos quais, vez ou outra, aparece alguém fumando maconha ou cheirando cocaína numa cena totalmente fora de contexto – já que o filme em questão não está necessariamente abordando a temática das drogas.

O cinema brasileiro também parece aderir a essa mania. O filme Divã, por exemplo, tem uma cena totalmente despropositada na qual a protagonista Mercedes, interpretada por Lilia Cabral, aparece fumando maconha com o namorado interpretado por Reynaldo Gianecchini. A sequência termina com ela rindo nas fuças de um guarda que os aborda em flagrante no carro. O curioso é que não se fala mais no assunto e não fica claro se houve ou não alguma punição para o casal.

Esse tipo de situação exposta com naturalidade nas telas da TV e do cinema não deixa de estimular jovens desavisados a experimentar drogas, ainda mais quando a cena é exibida gratuitamente, como se fizesse parte da rotina de vida de pessoas absolutamente “normais”. Fumar baseado parece ser uma coisa legal. Se fosse um filme ou novela sobre drogas, teria sentido, mas não podemos passar a ideia de que fumar maconha ou cheirar cocaína seja tão natural quanto beber um copo de cerveja ou uma dose de uísque.

Moralismos à parte, não é uma simples questão de censura ou proibição. O que falta é abordar o problema de frente, sem hipocrisia. Mas como, se algumas escolas se veem intimidadas pelos pais até mesmo quando tentam abordar temas relacionados à educação sexual? Este e outros assuntos polêmicos, como drogas, álcool e até mesmo educação no trânsito deveriam ser englobados por uma disciplina que ensinasse noções de cidadania, direitos e deveres do cidadão, servindo de alerta para crianças e jovens cujos pais muitas vezes evitam ter esse tipo de conversa com os filhos.

Outra coisa que se deve levar em conta é que o jovem pé-de-chinelo que vende drogas nas bocas de fumo certamente trabalha indiretamente para bandidos das classes média e alta. Não fosse assim, a julgar pelo número de clientes e pelo preço das drogas no varejo, as favelas seriam calçadas com ouro e diamantes e os presídios seriam verdadeiros palácios financiados pelos narcotraficantes.

Por Jorge Fernando dos Santos.

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CRAVI apresenta:

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E as Crianças?

Levantamento divulgado recentemente pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostra que dobrou o número de crianças e adolescentes que fizeram nos últimos três anos o tratamento intensivo para viciados em crack e em cocaína fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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Em 2006, foram 179 crianças e adolescentes, com idade entre 10 e 18 anos, que se submeteram ao atendimento especializado. Em 2008, foram 371 casos, o que corresponde a um aumento de 107% na procura do serviço. Para a Secretaria Estadual de Saúde, o consumo da cocaína e do crack tem se tornado mais freqüente e intenso em São Paulo. O SUS fornece 22 sessões de atendimento psicológico nos Centros de Atenção Psicossociais (Caps) aos viciados em cocaína e crack que procuram o tratamento. Em alguns casos, há a necessidade de internação. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, os principais sintomas do vício são desinteresse pelas atividades cotidianas, agressividade excessiva e perda de peso. Desde o início do ano, a primeira clínica pública de São Paulo de internação para adolescentes dependentes de álcool e drogas funciona em Cotia, Grande São Paulo, criada em parceria pela Secretaria de Estado da Saúde e o Hospital Samaritano.

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Fonte:  Globo.com

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As mulheres das classes A e B [de famílias com renda de mais de 15 salários mínimos – R$ 6.975 – por mês] cada vez mais recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS) em busca de tratamento para o alcoolismo.

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Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde mostra que, entre 2006 e 2008, cresceram em 28,8% os atendimentos a pacientes do sexo feminino que têm diploma universitário e um bom emprego, mas preferem o anonimato do serviço público à exposição em uma clínica particular.

“Elas têm melhor acesso à informação, então conseguem identificar os locais onde tratamento especializado é oferecido, como os hospitais universitários”, afirma Mônica Zilberman, especialista da Universidade de São Paulo (USP) em alcoolismo feminino. “Mas em parte a procura na rede pública é pela vergonha de procurar o médico particular e ter de assumir para a família que tem o problema. É como se o serviço público preservasse a privacidade dessas mulheres.”

Há dois anos 13,3% das pacientes atendidas na rede pública do Estado eram mulheres com esse perfil. Agora, elas respondem por 16,1% do total de consultas femininas. O avanço das mulheres com melhores condições financeiras nos números do SUS também veio acompanhado de um aumento geral das pacientes de todas as classes sociais que sofrem do problema.

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Para as mulheres de classe econômica alta, o padrão de uso de drogas é muito parecido com o de mulheres de extrema pobreza, avaliam o psiquiatra Pedro Katz e a psicóloga Dorot Verea. “Não há limites financeiros para os dois grupos. Para as mais ricas, o dinheiro em excesso abre as portas para o consumo. E, para as mais pobres, a falta de verba é tão recorrente que o uso de drogas após o roubo ou a prostituição acaba como sendo natural”, diz Dorot.

Segundo eles, o vício feminino é alimentado de culpas, mágoas e pressão. Tratar de si própria muitas vezes significa ter de ficar distante dos filhos e de todas as tarefas atribuídas à mulher. Por isso, na clínica particular que possuem em Perdizes, zona oeste, eles montaram o hospital dia, sem a necessidade da internação.

Mesmo com todos esses fatores, as mulheres procuram ajuda médica em idades mais jovens do que os homens (elas aos 40 anos, eles aos 50) – isso porque os efeitos do álcool são mais devastadores no organismo feminino e instalam a dependência mais cedo.

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Mesa Redonda

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Uma boa campanha é o resultado de um ótimo trabalho:

Taci

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Rafa

Pessoas competentes, resultado satisfatório.

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Um carro em altíssima velocidade que se choca contra outro. Um motorista com a carteira suspensa e com mais de 130 pontos de infrações. Dois jovens mortos na hora. Esse é o cenário da tragédia mais comentada de Curitiba esta semana. E ainda suspeita-se que o deputado paranaense Fernando Ribas Carli Filho [26 anos], autor da colisão e único sobrevivente, estivesse sob efeito de ÁLCOOL e COCAÍNA. Infelizmente o fato não pôde ser comprovado por influência da família, que está encobrindo o caso. Situação corriqueira e injustificável.

Carro onde estavam as duas vítimas mortas ficou destruído (Foto: Reprodução/TV Paranaense)

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